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26 de janeiro de 2012

Educar ou compensar? Eis a questão!

Por Elaine Rose da Silva


De acordo com a Teoria da Equidade, geralmente atribuída a J. Stacy Adams, a motivação depende do equilíbrio entre o desempenho da pessoa a sua compensação. Em outras palavras o indivíduo sente-se motivado sempre que espera receber uma compensação justa pelos os seus esforços, seja em forma monetária, reconhecimento público, promoção, transferências, ou outra. Seguindo esta mesma linha de raciocínio, temos a Teoria da Compensação da qual muitos pais utilizam para tentar substituir sua ausência por objetos de interesse da criança. A principal semelhança entre as duas teorias se encontra no fato de que, tanto a equidade quanto a compensação, podem gerar injustiças e deixar cicatrizes quase impossíveis de não serem notadas na vida do adulto.

Com base nesses estudos chego a conclusão que a educação brasileira, em meio a tantos caos enfrentados, fez surgir nos últimos anos um sistema pouco verdadeiro de êxito na alfabetização e no desenvolvimento dos jovens estudantes em futuros cidadãos trabalhadores que enfrentarão a vida fora do muro das escolas.

Primeiro tivemos a fase da aprovação automática, hoje disfarçada e bem viva entre os corredores de diversas escolas brasileiras, mais tarde resolvemos compensar os melhores alunos com a falsa desculpa de incentivo ao estudo. O governo municipal e estadual do Rio de Janeiro, por exemplo, distribuiu pagamentos em dinheiro e a entrega de notebooks para os melhores alunos de suas respectivas redes. Porém, o que foi visto como algo inovador pode também significar um atraso na evolução do nosso sistema educacional. À final, queremos formar cidadãos pensantes e participantes, que lutam por seus objetivos com esforço próprio, ou somente indivíduos que se motiva apenas pensando na curta retribuição?

Obviamente oferecer algo recompensador a longo prazo pode motivar que nos esforcemos para sermos cada dia melhor, mas quando essa compensação serve apenas como algo superficial e de curto prazo torna-se uma ameaça à educação. Quantos alunos ganharam dinheiro e usaram para sua formação acadêmica, como propôs o governo municipal? Quantos alunos usaram seus notebooks em tarefas educacionais, como propôs o governo estadual? Poucos, bem raros pode se dizer.

O fato é que além de contribuir apenas com a redução dos números de reprovação, moldamos sujeitos que apenas pensam na premiação e não no preparo para um futuro melhor. Sem contar na disparidade entre os indivíduos que dividem o mesmo ambiente, pois os que alcançaram êxito nas premiações se diferenciam dos que se esforçaram e “falharam”. Mas o que vemos aqui fora é que nem sempre quem é aprovado possui mais conhecimento do que os reprovados, o sistema ainda é muito falho nessa questão.

Conclui-se então que se pensa muito em reformas avaliativas e não numa reforma educacional concreta na qual aproveitaríamos o mais simples conhecimento dos alunos ditos inaptos, pois, mesmo os melhores, necessitam da eterna troca de experiência de vida. Na hora de educar uma criança reflita sobre o que é melhor: educar ou compensar? Mas tenha sempre em mente que a criança de hoje pode ser o professor de amanhã. O que você espera que ele ensine?


“Faço com os meus amigos o que faço com os meus livros. Guardo-os onde os posso encontrar, mas raramente os utilizo.” Ralph Emerson


 
Referências:

http://www.wikilearning.com/monografia/la_motivacionteoria_de_la_equidad_de_stacey_adams/16110-12

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Reflexão




"O professor só pode ensinar quando está disposto a aprender"




"Não existe saber mais ou saber menos. Existem saberes diferentes!" (Paulo freire)